Combatendo a desidratação com Tecnologia e BigData


Parece meio antigo, porém, é assustador saber que uma das causas mais comuns no óbito de crianças de até cinco anos de idade está na questão da desidratação infantil. Somente em 2013, tivemos 1,3 milhões de mortes por desidratação, onde principalmente ocorreram em crianças que moram em regiões mais carentes. Isto deve-se ao fato de que é mais comum em regiões carentes encontrar problemas de água potável e higiene pessoal, fazendo com que infecções diarreicas sejam mais comuns.

Com certeza, muitas mortes poderiam ser evitadas se houvesse um sistema de prevenção adequado para tratamento precoce. E foi exatamente pensando nisto, que um grupo de pesquisadores liderados por Walter Karlen, desenvolveram um dispositivo móvel barato que poderá ser utilizado por leigos para um tratamento mais eficiente nas questões de desidratação.

Karlen está bastante familiarizado com o tema, uma vez que morou na África do Sul por dois anos em uma região onde a qualidade de vida é extremamente precária, principalmente no verão, quando as condições se tornam ideais para a multiplicação de bactérias e vírus, com o calor acelerando a desidratação.

Em parceria com a Universidade Stellenbosch e contando com o financiamento da Sawiris Foundation, através de uma bolso de estudos na ETH Engineering for Development, os cientistas desenvolveram o protótipo de um dispositivo móvel com dois punhos azuis idênticos para o pé e mão, sendo que, cada um com dois eletrodos embutidos conectados por um cabo. Estes eletrodos injetam uma corrente elétrica fraca no corpo humano e a resistência é calculada neste momento. Através desta informação, é feito a análise da impedância bioelétrica, que trará conclusões sobre a concentração de água existente no corpo humano. Um LED vermelho ou verde no pulso indicará se a hidratação está aumentando ou diminuindo e um alerta sonoro será ouvido quando atingir níveis críticos que possam interferir na integridade do indivíduo.

Segundo Karlen, os sensores nas pulseiras são muito inteligentes, eles podem ser conectados em outros dispositivos, podem ter seus dados armazenados, avaliados e a Internet das Coisas poderá utilizar tais informações para diversas outras atividades. Além disto, trata-se deu dispositivo capaz de gerar uma grande massa de dados que poderá ser utilizada para identificação de picos de desidratação ocorrendo por região, desta forma, seria possível combater tais problemas diretamente na raiz.

Ainda não existe um modelo de negócios para o produto, ou seja, ainda levaremos alguns bons anos para que tal equipamento seja efetivamente entregue ao mercado, porém, esta é mais uma amostra do potencial que a Tecnologia da Informação aliada a capacidade de análise da Big Data poderá nos trazer de benefícios em um futuro talvez próximo.

Fonte:
https://www.ethz.ch/en/news-and-events/eth-news/news/2017/08/fighting-dehydration.html